Às vezes o mundo torna-se demasiado grande para os nossos corpos. E quando damos conta os nossos caminhos já não se cruzam. Fica um espaço vazio entre nós, entre os passos que decidimos dar em direções opostas. E nesses dias, em que o mundo parece grande demais para um amor que nem sempre se aproxima, sinto que me foges pelos dedos e te escapas para um lugar qualquer. Como se as mãos que trago ao peito fossem uma casa vazia de alguém que decidiu partir. Ainda estás aqui e sinto o teu respirar a alojar-se no vazio, no espaço que se abre entre nós. Talvez o espaço que nos ultrapassa não seja maior que o medo de te ver desencostar o teu corpo do meu, num movimento brusco e inesperado. Às vezes o mundo torna-se demasiado grande para os nossos corpos, ou talvez seja o medo que se torna demasiado vertiginoso para alguém que vive à superfície de um abismo chamado amor. 

5 comentários:

  1. Antes da esperança vem sempre a bonança, melhores tempos virão, acredita que sim, eu acredito e sei que no final de toda essa correria virá muitos sorrisos.
    Senti saudades do calor das tuas palavras!

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  2. O mundo torna-se imenso nestas situações!
    Adorei o texto*

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  3. É nessas alturas que rumo para parte incerta, aconchegando-me em portas de embarque. Nessas alturas, tenho de provar o chão do abismo, após voar para uma expansão de novos horizontes.

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  4. r: Eu é que agradeço, de coração, por essas palavras *.*

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  5. Não me canso de dizer que adoro sempre aquilo que escreves.
    Por vezes é mesmo tão grande... Mas nada que uma corda que una as duas pontas para diminuir a distancia que este tão imenso mundo tende a aumentar. Coragem

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